Infinito e os Mundos


A obra filosófica intitulada “Bruno, Galilei e Campela”, é uma seleção dos textos: Sobre o Infinito o Universo e os Mundos (Giordano Bruno); O ensaiador (Galileu Galilei); A cidade do sol (Tommaso Campanela). Nesta importante obra da filosofia, estes autores nos convidam a retomar nossa consciência expansiva que nos conecta aos questionamentos da nossa relação com o objetivo e subjetivo do vazio, o tudo e nada, o infinito e finito, bem como com o universo e os astros.

Ao longo do 2º Diálogo da obra Sobre o Infinito o Universo e os Mundos, de Giordano Bruno, o autor nos convida acessar através de dialéticas entre Filoteo, Fracastorio, Elpino e Burquio, questionamentos contundentes internos a respeito do infinito e finito, mundo e universo.

“...assim como a nossa imaginação pode proceder até o infinito, imaginando sempre um grandeza dimensional além de outra grandeza e imaginando um número além de outro número, segundo uma determinada sucessão, e em potência, como se diz, assim devemos compreender que Deus atualmente concebe a dimensão infinita e o número infinito. E desse conceito origina-se a possibilidade, com a conveniência e a oportunidade de assim ser: pois, como a potência ativa é infinita, assim, por necessária consequência, o sujeito de tal potência é infinito. Porquanto, como temos demonstrado inúmeras vezes, o poder fazer pressupõe o poder ser feito, a dimensão pressupõe o dimensionável, o dimensionante pressupõe o dimensionado.”

Ele mostra a partir dessa passagem que, se nossa imaginação (que é finita), consegue proceder o infinito, consegue imaginar uma grandeza maior que outra grandeza, dessa forma afirmo que a existência do mesmo, em potência, se dá com força e poder. Quando Bruno se refere: “o poder pressupõe o poder ser feito”, isso significa, para mim, que a potência passiva também pressupõe a potência ativa, sendo Deus infinito e que também está presente no finito “ele está em tudo e tudo está nele”.

Diante desta afirmação, coloco que, se Deus é o infinito e o ser humano faz parte desse infinito, o ser humano também é infinito por também ser parte desta potência ativa.

Percebo que através do interlocutor Filoteo, Bruno explica o primeiro princípio do universo que mostra ser infinito e que Deus concebe a dimensão infinita e o número infinito. Posteriormente, notando que Bruno explica o infinito não pode ser compreendido através dos sentidos, mas sim, através da imaginação, defendo que, assim como um número após um outro número, uma grandeza maior que outra grandeza, é como você olhar pela janela e pensar que não existe nada além do que seus olhos podem enxergar.

A partir dessas percepções compreendo que o universo é infinito. Sendo Deus o infinito aquilo que nunca deixará de existir, também podemos compreender que ele está presente em todas as coisas e as coisas estão presente nele, independente até mesmo de tempo e espaço.

A principal diferença de mundo e de universo é que o mundo é finito e o universo é infinito. Dessa maneira, Deus está além do mundo, pois ele é o próprio Universo. A partir dessa analise também defendo que seu Deus é o Universo, é finito e está em todas as coisas Ele está em todas as coisas que consideramos boas e nas coisas que consideramos ruins, não existe separação nem polaridade, ele é o universo, é infinito.

“...dois corpos não podem estar juntos é a impossibilidade de coexistir nas dimensões de um e de outro corpo: permanece então, no âmbito deste raciocínio, que onde não se encontrem as dimensões de um corpo podem encontrar-se as dimensões de outro. Se está possibilidade existe, então o espaço, de certo forma, é matéria; se é matéria, possui aptidões, se possui aptidões por qual razão haveis a de negar-lhe o ato?”

Toda matéria possui ato

O espaço é matéria

Logo o espaço possui ato

Este sinogismo criado a partir da afirmação de Filófio, expõe que o universo é, na verdade, uma junção de vários corpos coexistindo e não pode um corpo ocupar o espaço de outro corpo. Entre um e outro corpo existe um espaço que é considerado matéria e toda matéria possui aptidões dessa maneira o espaço possui aptidões e ato. Tudo que é capaz de realizar uma tarefa é capaz de agir.

Se Deus é o Universo e está em todas as coisas, está em toda matéria, Deus também é o espaço que também possui ato. Será que Deus age sobre a matéria ou a consciência que observa o movimento da matéria?

Então Deus é a união de todos os corpos, de todos os elementos, todos os mundos são o infinito!

“...tudo o que não possua corpo que resista sensivelmente, sempre que tenha dimensão é considerado vácuo: pois, comumente, não se concebe o corpo senão com a propriedade de resistência. Daí afirmarem que, como não é carne aquilo que é vulnerável, assim não é corpo aquilo que não resiste. Desta forma dizemos existir um infinito, isto é, uma etérea região imensa, na qual existem inúmeros e infinitos corpos, como a terra, este ar, este éter não estão somente à volta desses corpos, mas ainda os penetram e estão insitos em todas as coisas. Consideramos o vácuo segundo a mesma razão que nos permite responder a quem perguntasse onde se encontram o éter infinito e os mundos, e nos respondesse: num espaço infinito, num ambiente determinado, no qual tudo existe e se compreende, e nem se poderia compreender como existindo em outra parte.”

Para concluir o pensamento de Bruno em relação ao vácuo, mundo, universo e corpos segue o seguinte exemplo imagino uma casa sendo o vácuo e tudo que existe dentro dessa casa é o universo. Sendo assim, os cômodos da casa são os mundos e os moveis são os corpos.

“Este mesmo ar que contém a terra, a lua, o sol, assim vai se amplificando infinitamente para conter outros astros infinitos e grandes seres animados; e este ar vem a ser lugar-comum e universal, um regaso infinitamente espaçoso, que envolve todo o universo infinito da mesma forma que contém este espaço sensível para nós por causa de tantas e tão numerosas estrelas brilhantes.”

Então para encerrar esta analise selecionei essa passagem do final do Segundo Diálogo que explica que o universo infinito é composto pelo mesmo ar que envolve a terra, a lua, o sol dentre outras infinitudes e este mesmo que tudo e que a todos envolve é o lugar comum para todos para todos que esse ar envolve é Universal. Mais uma vez mostrando que ele está em tudo e tudo está nele.

Referências:

MOTA, José Américo. Bruno, Galileu e Campela: Sobre o Infinito o Universo e os Mundos (Giordano Bruno); 2º Diálogo.

NEUSER, Wolfgang. A Infinitude do Mundo Segundo Diálogo.

MOTA, José Américo. Bruno, Galileu e Campela: Sobre o Infinito o Univ

erso e os Mundos (Giordano Bruno); 2º Diálogo.

NEUSER, Wolfgang. A Infinitude do Mundo Segundo Diálogo.

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